ACAMPAMENTO EM PRAIA GRANDE- SC - 16 e 17/10/2010

Seguindo a programação dos eventos os Trilheiros do Sul passaram o final de semana dos dias 16 e 17/10 em Praia Grande-SC.
Por sugestão da condutora Sabrina da Rosa Pereira da APCE (Associação Grandense de Condutores para o Ecoturismo), a idéia era acampar próximo ao cânion dos Índios Coroados, passar a noite do sábado e no domingo se dirigir até a reserva do IBAMA para fazer a famosa trilha do Rio do Boi.
Para isso o grupo partiu as 7 da manhã de Porto Alegre, numa viagem de 3 horas e meia que foi conduzida pelo Sr. Carlos Reck, da Transportes Reck, uma indicação do amigo Osmar Nogara.
Em Praia Grande o grupo encontrou a condutora Sabrina no portal de informações da cidade e se dirigiu até a base dos Índios Coroados, onde iniciaram a montagem do acampamento.


Após o acampamento estar montado o grupo iniciou o preparo do almoço. Como a maioria dos participantes haviam optado por alimentos liofilizados da Liofoods, adquiridos na loja Doutor Aventura em Porto Alegre, o grupo precisou apenas de um fogareiro para aquecer a água que prepararia a comida. Roberto Canti pôs a prova o fogareiro a lenha portátil que ele próprio construiu. Alguns Trilheiros haviam levado seus fogareiros, mas a maioria usou do fogareiro do Sargento, que fez sucesso entre o grupo.


Almoçados o grupo se dividiu entre os que preferiram curtir o acampamento e os que resolveram caminhar ao redor para descobrir as belezas do local. E não eram poucas. Aos “pés” dos Índios Coroados o grupo tinha a vista da entrada do cânion como plano de fundo, a mata e o rio como atrações.
À tardinha quando todos se reuniram novamente era hora do banho e o rio próximo ao acampamento recebeu o grupo com suas águas geladas, mas cristalinas. Mas o frio não diminuiu o bom humor do pessoal que divertia às margens do riacho.
Logo o grupo se agasalhou e iniciou os preparativos para o jantar. Novamente a movimentação se deu ao redor do fogareiro à lenha do Roberto Canti, para aquecer água e preparar os alimentos da Liofoods. A facilidade de preparo e o sabor dos alimentos surpreenderam os poucos participantes que ainda não conheciam o produto e todos ficaram satisfeitos em poderem contar com uma alimentação tão saborosa e fácil de preparar em um lugar tão remoto.


Até então a previsão de 3 milímetros de chuva não havia se concretizado e apesar de o tempo abafado ter dado lugar um vento mais gelado, o grupo ainda alimentava a esperança de que a chuva não se faria tão presente. Ledo engano. Enquanto o grupo trabalhava para manter o fogo, se divertia e comia a chuva foi começando mansamente, o chuvisqueiro foi ficando forte até que o grupo teve se refugiar nas barracas e dormir com o som da chuva nas suas “lonas”.


Pela manhã, os primeiros a acordar ficaram incumbidos de despertar os demais, pois era preciso estar de pé cedo, desmontar o acampamento e pegar a van que os conduziria até a reserva do IBAMA onde o grupo faria Trilha do Rio do Boi.
A chuva que não parou a noite toda, não deu trégua aos Trilheiros enquanto eles desmontavam acampamento e se encaminhavam até o ponto de encontro, alguns kilômetros adiante do local de acampamento. Ao encontrar a van a Comissão Organizadora dos Trilheiros do Sul foi conversar a respeito do clima e das possibilidades com as condutoras Sabrina e Daniela de Mattos Shimidt que lhes relataram que, com a chuva da noite e que continuava em forma de uma garoa fina era provável que o rio não houvesse subido, mas mesmo assim talvez não fosse liberado o acesso do grupo até a trilha. Então o grupo poderia optar por alguma trilha alternativa, como a do Malacara, por exemplo.


Então, reunindo todo mundo a Comissão passou as informações para todos os participantes, abrindo uma votação para a realização ou não de alguma trilha, mesmo com chuva. E após a condutora Sabrina assegurar a segurança na trilha, com apenas um voto contra, o grupo decidiu tentar a trilha do Rio do Boi.

Embarcaram todos na van e seguiram em direção a reserva do IBAMA. Mas o destino ainda reservava uma surpresa para o grupo. Na metade do caminho para a reserva um dos pneus da van estourou, devido a má qualidade da estrada de pedregulhos. Para fazer a mudança de pneu era necessário retirar grande parte das mochilas de dentro do veículo. Em um mutirão onde todos ajudaram a van foi esvaziada e as mochilas alocadas e protegidas da chuva, que neste instante ironicamente virava uma pancada forte, em uma lona de barraca. Em pouco tempo o pessoal estava às voltas, todos juntos, com a retirada e substituição do pneu e muito rápido a van estava com o estepe colocado, as mochilas novamente alocadas e o pessoal dentro, seguindo viagem rumo à trilha do Rio do Boi.


Na reserva o grupo foi orientado a entrar no Rio do Boi pela trilha de escape. Segundo as informações as chuvas não haviam alterado o nível do rio, de forma que a trilha poderia ser realizada, tendo um reforço no cuidado, pois apesar de o nível do rio estar aceitável, uma chuva forte nas suas nascentes pode provocar uma enxurrada. Além disso, com a chuva, as pedras molhadas e escorregadias se tornam um risco à parte, mas as condutoras sabiam disso e redobraram seu cuidado bem como os Trilheiros mais experientes.

Seguindo pela trilha de escape, conduzidos pela Sabrina e a Dani, as duas competentíssimas condutoras locais, o grupo andou pela mata até chegar ao rio já no inicio da entrada do cânion. A chuva fina não dava trégua e o grupo se propôs a tentar ir o mais longe que o clima e o rio permitissem. Para isso incutiram um ritmo forte à trilha, mas sempre tendo o cuidado de não forçar demais e sem perder a atenção com todos os participantes. Com paradas estratégicas para descanso e em lugares onde era interessante olhar a paisagem de forma mais demorada os trilheiros foram entrando cada vez mais dentro do Itaimbezinho, até que se viram no meio do corredor de paredões gigantes que sumiam nas pesadas nuvens de chuva. O visual era surreal e surpreendente até para os que já haviam estado ali.


Seguindo a trilha o grupo ia fazendo travessias de rio, que apesar de baixo oferecia uma correnteza forte e com pedras irregulares e escorregadias no seu leito, o que aumentava o risco de queda. Por isso as condutoras adotaram o procedimento de “corrente humana”, ou “ponte”, intercalando entre homens e mulheres de mãos dadas. O que, claro, fomentou diversas brincadeiras no decorrer do caminho.

Sem nenhum percalço durante o trajeto os Trilheiros chegaram até o final da trilha. Onde podiam vislumbrar a curva do cânion e uma cachoeira que jazia escondida, mas que um deslizamento recente deixou exposta e agora o grupo podia apreciar.
O grupo sentou para almoçar, e a comida Liofoods provou ser gostosa mesmo quando preparada com água fria ou consumida desidratada. Saborear comida de verdade, e não enlatados ou barras de cereal dentro de um cânion foi uma experiência, no mínimo interessante e gratificante para os Trilheiros.
Após o almoço Sabrina explicou ao grupo como se deu a formação dos cânions dos Aparados da Serra e Serra Geral, compartilhando com o grupo o seu conhecimento sobre as formações que tanto chamam a atenção.
Com o final das explicações o grupo retomou a trilha, voltando para a reserva e com direito a uma parada para um banho de rio!! Um bolsão de água cristalina foi irresistível para alguns Trilheiros que se jogaram no banho gelado.


De volta à reserva, troca das roupas molhadas por roupas secas e uma constatação gratificante: Trilha feita em tempo recorde. 3h e 3minutos de ida e 2h e 47 minutos de retorno. Um ganho de pelo menos 40 minutos do tempo habitual da trilha.
Um motivo pra comemoração, que foi feita no Café Rural do Rio do Boi, que fica no caminho da reserva, onde o grupo parou para aproveitar de um farto café, com bolos, suco de açaí, caldo de cana, pasteis e uma diversidade de coisas gostosas para repor todas as energias gastas na trilha.


No final do café o grupo agradeceu aos proprietários, o Sr. Valmor e a Sra. Marisalva,  parabenizou as guias que tiveram condutas exemplares durante todo o período que acompanharam o grupo, congratulou uma nova integrante que debutava como membro do grupo, além dos parabéns merecidos a todos por não terem desistido frente às adversidades.

Após isso, todos de volta a van e a estrada, retornando a Porto Alegre satisfeitos e felizes por terem ido em frente e terem realizado o objetivo e aproveitado um final de semana excelente junto dos amigos.


Veja todas as fotos desse passeio


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