Maratá, é um município que fica a 90Km de Porto Alegre e que integra a Rota Microrregional Caminhos das Velhas Colônias, projeto implantado recentemente pelos municípios de Barão, Brochier, Maratá, Salvador do Sul e São Pedro da Serra.

Esse foi o destino dos Trilheiros do Sul no domingo dia 07/06/09. Saindo de Porto Alegre as 8:00 da manhã o grupo chegou ao destino pela metade da manhã onde encontrou a Liani Buttenbender, guia regional que representava a secretaria de turismo do município e que levaria os Trilheiros do Sul até as atrações disponíveis em Maratá.

Após as apresentações o grupo se dirigiu até o Morro Ibiticã, onde após uma subida tranqüila se dividiram em dois grupos que seguiram para lados opostos. Um grupo se dirigiu para as cavernas indígenas, onde, abaixados ele puderam entrar alguns metros dentro dessas cavidades esculpidas no morro. O outro grupo dirigiu-se para o topo do morro, de onde se podia ter uma visão privilegiada da cidade, além de poder visualizar dois outros próximos pontos de destino do grupo: O Morro de Pedras na localidade de Vitória e a cascata Vitória dentro do parque de mesmo nome.

Depois de os dois grupos terem visitados os dois lados do Morro Ibiticã (cavernas e mirante) os Trilheiros retornaram para a van e percorreram de 2 a 3 km até a localidade de Vitória, onde foram recebidos pelo Sr. Ildo Pilger e a Sra. Angela Pilger na sua propriedade.

Ali após as explanações sobre comportamento em trilha, degradação ambiental, deslocamento e segurança ministradas por Roberto Canti o grupo fez um pequeno aquecimento e se dirigiu até o inicio da trilha, dentro da propriedade dos Pilger.

Após alguns metros de caminhada fácil e tranqüila os Trilheiros já puderam perceber que chegar ao topo do morro de pedras não seria tarefa tão fácil como eles poderiam imaginar naqueles primeiros metros. Ao entrar na trilha mais fechada o grupo iniciou uma subida íngreme cercados de vegetação nativa bem conservada. Nessa subida em determinados pontos o grupo utilizou o auxílio de cordas para vencer as partes mais difíceis de subir, além do sempre presente espírito de cooperação.

Chegando finalmente até a ultima parte da subida a equipe técnica do grupo se deparou com um belo desafio. A subida até o topo do morro de pedra, objetivo da caminhada, só podia ser feita escalando uma fenda na rocha de aproximadamente 10mts. Um desafio considerável levando em consideração a falta de conhecimento em técnicas verticais da grande parte do grupo. Mesmo assim com o incentivo da Liane, que estivera no local dias antes e que subiu praticamente sozinha até o topo a equipe técnica resolveu tentar. Dividindo-se em 4 pontos de apoio estratégico e utilizando cordas e fitas tubulares para montar uma estrutura de subida a equipe técnica foi dando as instruções e auxiliando um a um dos participantes do passeio a vencer o imenso desafio, mantendo cada individuo seguro nessa empreitada. Enquanto o Rodrigo Xavier, o “X”, iniciava a escalada do pessoal em uma parte de subida lisa na base da formação rochosa, o Roberto Canti, o Sapo ou Sargento, esperava a pessoa no inicio da parte mais delicada da subida. O inicio da escalada na fenda da rocha. Após explicar como a pessoa deveria proceder utilizando a corda e as saliências da rocha para fazer a subida, o Roberto ficava atento a qualquer erro ou necessidade de auxílio que pudesse ocorrer. Alguns metros acima estava Fabiano Riffatti, o RedBull, que estava em um patamar inclinado da rocha, lugar onde após sair da fenda estreita as pessoas deveriam se preparar para a parte final da escalada.

Ali era necessário “puxar” a pessoa da fenda, cuidando para que ela não batesse a cabeça na rocha e então se abraçar a ela, dando a segurança para que a pessoa virasse de frente para o próximo patamar a subir sem o risco de escorregar e despencar, pois ali a altura já era bastante considerável.

No ultimo posto estava Luciana Maines, a Lu, responsável por puxar a pessoa para esse ultimo patamar, alto e inclinado, onde a pessoa não tinha apoio que não fossem as fitas tubulares e a própria Lu, que direcionaria a pessoa para onde deveria ir após vencer a subida.

Após todos terem subido, com exceção de alguns que optaram por apreciar o outro lado do morro evitando a subida radical, o grupo fez seu lanche, satisfeitos por terem vencido um obstáculo tão difícil e maravilhados com a visão maravilhosa que o topo do morro proporcionou. Depois de aproveitarem bons momentos no topo do morro era hora de descer e refazer o perigoso trajeto vertical. A equipe técnica tomou novamente seus postos e iniciou o trajeto inverso até a base da formação rochosa.

Com todos de volta em segurança e o grupo todo reunido novamente os Trilheiros iniciaram a descida do morro e o retorno até o ponto de partida: A casa dos Pilger. Foi uma descida tranqüila, mas cuidadosa pois algumas pedras soltas se soltaram e desceram boa parte do morro rolando fazendo os trilheiros imaginar o estrago que um descuido desses poderia gerar caso a pedra atingisse alguém.

Chegando na casa do Sr. e Sra. Ildo e Angela Pilger os Trilheiros receberam a mais grata surpresa que jamais haviam tido em 8 anos de trekking pelo interior do estado:

O Sr. Ildo os esperava com um carrinho de mão cheio de laranjas maduras, recém colhidas. Presente oferecido a estes estranhos de Porto Alegre que foram lá “invadir” as suas terras. Mas além das belas frutas havia um bilhete no carrinho de mão que dizia o seguinte:

“Olá pessoal!
Para nós foi um prazer recebê-los aqui nos confins do município de Maratá, na localidade que denomina-se Vitória. Esperamos que tenham gostado e apreciado esta aventura , pois é exatamente aqui, no interior deste município tão lindo como o nosso, que todos os dias volto do trabalho (que é na sede) para casa, para o nosso silencioso e adorado aconchego. Nossa casinha, quase no meio do mato.
Aqui ainda vivemos sem violência e respiramos ar puro. Ficamos felizes em observar que deste passeio vocês levam apenas imagens, fotos e experiência. Por isso gostaríamos de lhes fazer um “mimo” ofertando algumas laranjas. Dividam-as entre a turma. Que Deus os abençoe.
Foi um privilégio.


Angela e Ildo Pilger.
Vitória 07/06/09”

Sem sombra de duvidas é um momento que entra para a história do grupo. Onde com toda certeza os privilegiados foram os Trilheiros do Sul por ter recebido gesto tão simples, mas tão cheio de carinho e tão bonitos destas pessoas que abriram seus portões para compartilhar conosco o seu tesouro: um pouco do contato com a natureza, o ar puro e a bela vista do ponto mais alto da sua propriedade.

Comovidos, os Trilheiros dividiram as frutas agradeceram ao seu Ildo e fizeram questão que ele tirasse uma foto junto de toda a turma.
Despediram-se do anfitrião e seguiram de volta até a praça central da cidade, onde aguardaram por alguns minutos até o motorista Osmar, calibrar os pneus da van e voltar para levá-los até a parte final do passeio.

A Liane então os conduziu até a cachoeira Maratá onde o grupo pode apreciar e tirar fotos de mais uma beleza natural do município. Dali, passando pelo caminho iluminado o grupo se dirigiu até o ultimo ponto do passeio. A cascata Vitória, dentro do parque Vitória. Onde os trilheiros caminhariam até seu topo e logo depois aproveitariam do café colonial que finalizaria o evento.

O que os Trilheiros talvez não esperassem é que mesmo após todo o esforço no morro de pedras a aventura ainda não havia terminado. Para chegar até ao topo da cascata Vitória os Trilheiros tinham uma trilha de meia hora para fazer subindo morro acima até a barragem no topo da cascata. Mas apesar de cansados pelo esforço anterior o grupo não se rendeu concluiu a trilha de onde puderam ver o rios do sol se pondo ao fundo do vale.

Ainda antes de escurecer voltaram pela trilha até a sede do parque onde lhes esperavam cucas, pães, bolos, bolachas, sucos, café, chá, chimias e kshimier.

Após o gostoso lanche era hora de vir pra casa. Se despedir do município que lhe deixou boas lembranças e infelizmente da Liane também. A guia atenciosa que se integrou de forma excepcional ao grupo, lhes oferecendo um dia maravilhoso além de conduzir o grupo de uma forma muito bacana pelas belezas do seu município.

Uma das coisas que o grupo eventualmente nota é que na grande maioria dos casos os guias locais nos municípios pecam por um certo despreparo na condução de grupos e principalmente na parte de gerir a segurança para os mesmos ou simplesmente pelo fato de não irem ver as trilhas contratadas antes de receberem um grupo.
A Liani Buttenbender, pelo contrário se mostrou uma guia preparadíssima para conduzir e recepcionar o turista que vai fazer uma visita “social” ao seu município, mas também a esses loucos que gostam de se enfiar mato a dentro em busca de aventuras e desafios.

Ela fez o que todo condutor deveria fazer, mas poucos ou nenhum faz: fez as trilhas propostas antes do dias de receber os visitantes, para assim evitar surpresas.
Os Trilheiros do Sul vieram embora de Maratá com maravilhosas lembranças e com uma certeza:
Marata é um município que vale a pena visitar e que além das fotos e das boas lembranças eles trouxeram de lá uma nova amizade.

Participaram do passeio Luciana Maines, Rodrigo Xavier “X”, Daniela Plenisk, Fabiano Riffatti “RedBull”, Sandra Ratzlaff, Marcia Cesarino, Nessa Casagrande, Fatima Ramos, Martina Hoblik, Christian Marcon, Sheila Iscovitz, Suzi Vaz Soares, Ricardo Zelanis, Fernanda Maieski, Max Marcel, Max Filho, Eder Felix, Christine Marcon, Ana Pastro, Roberto Canti “Sapo”, Ricardo Mentz “Ric”.

Veja Fotos desse passeio

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