Ola, praticantes e admiradores de esportes de aventura.
Devido aos fatos ocorridos no final de semana de carnaval (de 13 a 16/02) em Maquiné, resolvi fazer alguns comentários referentes às nossas atividades e levando em consideração que muitos podem estar apreensivos com a repercussão destes incidentes.
Abaixo, seguem links de duas matérias que foram publicadas no jornal Zero Hora.

 

Resgate dramático em Maquine

Ao despencar sobre um empresário que praticava canionismo , uma rocha tornou dramático o fim de semana de um grupo de esportistas gaúchos, catarinenses e paulistas na Serra do Umbu, no município de Maquiné, no Litoral Norte.

Com múltiplas fraturas, Juliano Romancini, 38 anos, de São Miguel do Oeste (SC), ficou 18 horas à espera do resgate em uma fenda entre duas montanhas a 32 quilômetros da sede do município, até ser içado por um helicóptero.”  Leia mais
Fonte : Jornal Zero hora


 

Gostaria de ressaltar que neste caso, os praticantes eram profissionais da área, proprietário de lojas de equipamentos, e praticantes com muita experiência em atividades até mais complexas.

Por isso acredito que foram cumpridos todos os protocolos de segurança bem como o uso dos materiais corretos para a atividade.

Mesmo assim, por obra do acaso, aconteceu o acidente. Que poderia acontecer com qualquer grupo, já que foi uma intervenção natural e não um erro humano. Mas, é importante ressaltar que um grupo despreparado dá margens muito maiores para acidentes humanos e para até mesmo o incidente natural e o mais importante: quando qualquer um dos dois ocorre a falta de informação e preparo deixam os envolvidos impotentes e em uma situação que apenas agrava o risco individual e do grupo.

Por isso é importante o preparo, a maior obtenção de informações sobre os locais que se visitará, o planejamento e sempre ter alguém que saiba onde o aventureiro deverá estar e até quando deverá voltar. Além de tudo atividade de aventura não é algo que se deva fazer sozinho. Uma intervenção natural, como a que o Juliano sofreu ou mesmo um erro operacional, podem facilmente levar a morte se não houver quem auxilie ou avise as autoridades a tempo. Felizmente esse grupo era preparado e maiores problemas foram evitados.


"Mais um resgate em Barra do Ouro.

Após passarem dois dias perdidos na mata densa em um morro de Barra do Ouro, localidade de Maquiné, o programador Diego Enners Lima, 26 anos, e o advogado Gomercindo Daniel Filho, 55, foram resgatados ontem de manhã por moradores da região. Nem havia amanhecido, quando equipes dos Bombeiros e Brigada Militar de Terra de Areia, Maquiné, Capão da Canoa, com reforço de agentes da Capital, saíram em busca da dupla desaparecida." Leia mais
Fonte : Jornal Zero hora

 

Nesse segundo caso temos um exemplo claro de negligência e despreparo.

As normas e protocolos não foram guardados, também, os materiais utilizados não eram adequados. Não tinham conhecimento de sobrevivência (a matéria cita que “estava chovendo e ficaram sem água”. Se estava chovendo era impossível eles estarem sem água).

Por muita sorte não houve um acidente.

Pois se um dos dois membros que se deslocaram, após terem dito que aguardariam no local, tivessem se machucado, teria sido bem complicado a localização dos mesmos.

O maior erro nesse caso foi humano. A decisão de seguir caminhando após dividir o grupo e sem haver uma comunicação prévia que haveria o deslocamento, colocou toda a operação em risco, além de ter criado uma situação desnecessária.
Volto a ressaltar que o conhecimento técnico e prático, é a maneira mais eficaz de minimizar os acidentes, mas o principal sempre é usar o bom senso.

Lembro de alguns procedimentos que já fizemos, como por exemplo, a travessia do Cânion Josafaz (onde um grupo fez a travessia eu me mantive em espera, para monitorar ligações e mensagens deste grupo). Naquele momento, parecia desnecessário e exagerado, mas após estes acontecimentos, podemos ver que esse monitoramento pode ajudar muito no caso de acidente.


O meu intuito aqui não é criticar ou fazer avaliações sobre os participantes que estavam nestes acidentes nem dos membros do nosso grupo, mas sim, ressaltar a necessidade de continuarmos implementando nossos protocolos de segurança. Lembrar que as vezes o que parece um detalhe irrelevante pode ser o diferencial dentro da atividade outdoor. Além, claro do espirito de equipe e consciência de grupo.

Lembrando que felizmente, nunca tivemos uma situação parecida e desejo que nunca tenhamos.

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